O Reino Unido é agora o mercado mais barato de bens de luxo no mundo. Na sequência da votação do país para sair da UE, que causou uma descida no valor da libra britânica de cerca de 10 por cento contra o euro, verifica-se agora o propulsar de marcas de luxo britânicas. Numa declaração dada ao site Business of Fashion, Luca Solca, responsável pelos bens de luxo na empresa de investimentos Exane BNP Paribas, afirma:

“A votação Brexit fez com que o Reino Unido se tornasse no mercado mais barato de bens de luxo. O enfraquecimento da libra britânica irá impulsionar afluência turística para o RU, favorecendo marcas de luxo britânicas tais como Burberry, Mulberry e Jimmy Choo.”
Luca Solca

Mercado de Luxo
Interior da loja Jimmy Choo em New Bond Street, Londres. Fotografia: www.my-lifestyle-news.com

Enquanto que o aumento de preços nas marcas de luxo não é previsto no Reino Unido nos próximos meses, pelo menos até que se conheça melhor as decisões tomadas sobre como e quando o país pode sair da UE, a Grã-Bretanha deve ver um aumento de entradas turísticas no país e um crescimento no consumo devido ao enfraquecimento da moeda. Isso, juntamente com a baixa popularidade que França possui neste momento, devido aos ataques terroristas, levará a que os turistas coloquem as visitas ao Reino Unido em primeiro lugar, podendo resultar num boom de consumo. Os bens de luxo vendidos na Europa já estão entre os mais baratos do mundo, custando menos do que nos EUA e muito menos do que na Ásia. Por exemplo, um trench coat da Burberry, que custa cerca de £1,495, é vendido na china com um preço 32% mais caro.

A maioria dos turistas adoram compras vantajosas e pechinchas, e ainda mais quando o produto que compram é desenhado na Europa, o que lhe confere um estatuto superior a nível de elegância e constata um tipo de consumismo de valor emocional, por a compra ser feita fora de casa. Assim, com a libra enfraquecida, criando uma diferença de preços mais acentuada entre o Reino Unido e o resto dos mercados de bens de luxo, não é de estranhar que marcas britânicas como Burberry, Mulberry e Jimmy Choo, se preparem para um aumento de vendas substancial. Com um grande número de lojas por todo o país, Burberry “deve experienciar um vento de cauda significativo, especialmente devido ao facto da marca reportar os seus lucros em libras.” (www.businessoffashion.com).

Não obstante, embora tudo isto possa soar como uma reviravolta surpreendente pós votação Brexit, marcas britânicas mais pequenas como Stella McCartney, Alexander McQueen e Christopher Kane (do grupo Kering) e a marca Church’s (do grupo Prada), que também têm uma elevada exposição no Reino Unido, provavelmente não serão afetadas pela mesma sorte das marcas anteriormente referidas.